Por Tatiana Marcondes
Ontem fui assistir Coco antes de Chanel, que desde sua estréia, estava ansiosa para ver. Apesar de ter me formado em Design de Moda, não sabia da história de vida desta grande estilista, que a partir de agora, tornei-me fã.
Sabe quando você vê algo que se identifica? Este filme, com certeza fará parte da minha seleção pessoal. Tenho esta mania de comprar e rever filmes, dezenas e dezenas de vezes, que revelam aquilo que penso ou que respondem algumas de minhas questões.
Chanel, muito à frente de sua época, fez de sua vida uma obra de suas convicções, daquilo que pensava, não deixando-se seduzir pela comodidade ou pela hipocrisia da época. Me instigou tal comportamento, pois ao contrário disto nos deparamos, quase que diariamente, com situações que são totalmente contrárias a nossa essência, mas mesmo assim acabamos cedendo à comodidade de vivê-las, não permitindo-nos entrar em conflitos.
Sua autenticidade era tão grande, que decidiu por manter-se em “carreira solo”. Isso foi no começo do século passado. Seu comportamento era tão avant-garde, que mesmo nos dias de hoje, Chanel poderia ser considerada uma transgressora. Em pleno século XXI ainda sentimos a necessidade de ter alguém ao nosso lado, para suprir uma falta que temos em nós mesmos. Para algumas pessoas é insuportável viver sozinhas. Para mim costumava ser assim, até o ponto que parei para rever porque me sentia tão incompleta. Quando fiz esta reflexão, comecei a me curtir mais, a me conhecer, a saber o que quero e com quem quero estar.
Não estou fazendo campanha contra relacionamentos. Veja bem! Outro dia um amigo disse que estava com uma menina que era muito “resolvidinha” para ele. Achei estranha a reclamação! Mas é isto mesmo. A maioria de nós prefere estar com pessoas mal resolvidas, pois para elas, relacionamento é sinônimo de dependência. E pessoas bem resolvidas tendem a ser independentes.
Voltando à Chanel, antes mesmo do filme, havia lido uma entrevista da atriz Audrey Tautou dizendo que a estilista, de tão segura de si, nunca precisou criar uma personagem e que sua grande virtude era a discrição. “ Uma pessoa que nunca vendeu sua alma e era rápida em detectar hipocrisia e falsidade, que como eu, não se impressionava facilmente com nada” disse Audrey, afirmando serem muito parecidas, lisongeada em interpretá-la no cinema.
Diferente delas, há muitas pessoas que pecam por falta de discrição, expondo-se demais, falando muito, no intuito de agradar a todos. Tais pessoas são restritas àquilo que aparentam ser. E com o tempo, caem-se as máscaras.
Chanel não era amada por todos e este era o custo por seu excesso de personalidade. Preferia assim, como aos sapatos sem salto, acho que já imaginando que quanto mais altos eles fossem, maior seria seu tombo. Sábia!
Olhemos para esta ilustra humana, que com certeza tinha tantos defeitos como qualquer um de nós, mas fiquemos com as virtudes desta mulher que criou um império que até hoje leva o seu nome, que se resume a muito trabalho, discrição, independência e determinação.